26 July 2006

As novas esperanças do surf português


À primeira vista o circuito Pro Junior português não parece estimular público ou imprensa, que tende sempre a virar todas as atenções para o circuito Open... à segunda vista, o Pro Junior surge, na verdade, como um revelador de talentos do surf nacional. Uns já correm o Nacional de Surf e começam a ser conhecidos entre o meio. Outros estão agora a encetar as suas carreiras e não perdem tempo em iniciá-las com bons resultados.
Exemplo disso mesmo foi a vitória de Luca (não “Lucas”, como teimavam em chamar-lhe) Guichard na segunda etapa do Circuito Nacional de Surf Pro Junior. Mas na corrida pelo título, Luca não está sozinho. Lado a lado, caminha com o seu irmão, gémeo, Joackim Guichard, vencedor da primeira etapa deste mesmo campeonato, em Maio, no Porto.
O facto é curioso e não deixa de ser alvo de comentários na praia. Os dois “manos”, oriundos de terras algarvias, fazem este ano a sua primeira incursão no surf competitivo e já dão mostras de ter todo o potencial para ir longe, muito longe.
Mas vamos ao campeonato.
Depois de dois dias em que Neptuno deu uma ajudinha aos mais novos, dando-lhes ondas que variaram entre o meio metro e o metro, ideais para deixá-los à-vontade, os dois rounds, quartos-de-finais, meias-finais e finais, masculinas e femininas, disputaram-se a um ritmo alucinante e na final da manhã da passada quinta-feira tudo estava decidido.
Na parte feminina, a local da Caparica, Francisca Santos, venceu sem surpresas o surf “simplista” das suas companheiras: Francisca Sousa, Margarida Guerra e Vera Costa. De tempos a tempos aparece uma jovem surfista que parece trazer um novo alento ao desporto e esperança de que o surf feminino dê um pulo muito em breve. Francisca Santos é, aparentemente, a surfista para onde todos olham este ano. Isto após a sua vitória do Pro Junior de 2005, da sua vitória na primeira etapa do Open deste ano, e da sua quase vitória em várias provas internacionais.
O segredo: “Treino, muito treino”, diz Francisca – ou Chiclet, como também é conhecida -, mas também uma calma muito invulgar para alguém tão novo.
Já os jovens levaram a cabo uma etapa muito renhida, apesar de se estar à espera de melhores performances.
Como já foi dito, a grande surpresa foi mesmo a vitória de Luca Guichard que, passando a maioria do tempo da final em 3º lugar, conseguiu a meio da bateria sacar um 7.67, pontuação quase impossível de alcançar nas condições de mar difíceis em que se realizou a final. Catapultado para o 1º lugar, Guichard nunca mais largou o posto, apesar de todos os esforços empregues por Frederico Morais – um dos nomes mais fortes no circuito deste ano -, Miguel Ximenez – actual campeão europeu de juniores e um potencial candidato ao título nacional – e César Rosa – surfista algo desconhecido, mas que parece já estar a dar cartas.
E porque a vitória da etapa da Areia Branca parecia não ser suficiente, Guichard quis ainda levar para casa o prémio da Expression Session (só um mochila Eastpak?!...), apesar do objectivo ser para o melhor tubo, mas nenhum dos 16 surfistas participantes terem exprimentado o ar.
O Campeonato Nacional de Surf Pro Junior volta agora apenas em Setembro, para a sua terceira etapa, a ter lugar em Ribeira d’Ilhas, Ericeira. Com o verão no fim e as ondas a subirem de tamanho e intensidade poderemos vir a testemunhar um surf muito mais power dos “putos” portugueses.

25 July 2006

Fanning obtém vitória em J-Bay


Depois de dias e dias de surf muito pobre naquele que é um dos picos mais conhecidos no mundo, Supertubes decidiu finalmente dar o ar da sua graça no último dia do período de espera do Billabong Pro de Jeffreys Bay, África do Sul.
Fartos de esperar e depois de dois rounds de desesperar, os 16 surfistas que ainda se encontravam em prova estavam impacientes para finalmente começarem a mostrar o que valem.
Depois da eliminação precoce do 3x campeão mundial, Andy Irons, as atenções estavam inevitavelmente voltadas para o “Rei” Slater.
Ainda em prova também estavam alguns dos locais de eleição, os sul-africanos Greg Emslie, Travis Logie e a estrela em ascensão Jordy Smith .
Porém, Emslie ficaria pelo caminho, depois de se ter atravessado à frente do vencedor desta etapa, e também Logie não conseguiria subir ao pódio. O holofote dos fãs locais voltava-se então para Jordy.
Chegados aos quartos-de-final, a competição estava ao rubro!
Fanning eliminava o brasileiro Adriano «Mineirinho» de Sousa, enquanto Kelly não dava hipóteses a Peterson Rosa… e estava delineada a 1ª semi-final. Por outro lado, Tom Whittaker não fora adversário para Taj Burrow e Jordy Smith também avançava para a 2ª semi-final, eliminando o actual top10 Timmy Reyes, depois de ter alcançado um incrível score de 18.00 (em 20 possível).

SEMIFINAIS DRAMÁTICAS
Depois de uma menos feliz prestação no México, Mick Fanning estava ferozmente à procura de um bom resultado, até porque, desde o início do ano, Fanning tem apresentado um fantástico nível no free-surf faltando apenas traduzir esse nível em pontos durante os eventos.
Por seu lado, Kelly é sempre Kelly e não deixaria a vitória ir de barato. Numa semifinal muito competitiva, Fanning acabaria por vencer e passar para a final. Mas nada que venha a afectar a posição do campeão mundial em título. Depois da eliminação de Andy logo de início e o facto de Bobby Martinez, Taylor Knox e Hobgoods também terem saído de J-Bay com as mãos a abanar, Kelly Slater, apesar desta sua 3ª posição, aumenta a sua folga como actual líder do ranking mundial.
A 2ª semifinal também foi de suster o fôlego: Taj Burrow, com o surf a que já nos habituou e que de há uns anos para cá tem feito tremer todos os veteranos no Tour, e Jordy Smith, que está definitivamente numa nova era do surf moderno. Mas apesar de um muito dinâmico Jordy, Taj conseguiu levar a melhor e entrou de novo nos carris para a corrida ao título mundial deste ano.

ALL OZ FINAL
Mick e Taj, numa final toda ela australiana, prometiam uma exibição de surf muito progressivo e muito rápido… e não desapontaram! Durante toda a duração da última bateria, os dois homens andaram sempre taco-a-taco, tendo sido tudo definido na última onda. Uma pontuação de 8.40 selaria o resultado e atribuía a Fanning a sua primeira vitória desde a etapa na ilha de Reunião, no ano passado.
A “Dream Tour” faz agora um mês de interregno, voltando à acção de 12 a 16 de Setembro, em Trestles, na Califórnia, EUA, com o Boost Mobile Pro of Surf presented by Hurley.

18 July 2006

Nokia Pro arranca 6ª feira


O Nokia Pro, terceira etapa do Campeonato Nacional de Surf Buondi 2006, vai ter início já na próxima semana, dia 19 de Julho (sexta-feira), e decorrerá até ao Domingo seguinte, na praia da Areia Branca, Lourinhã. A prova terá um prémio monetário de 5.000 euros para o escalão masculino e de 1.000 euros para o feminino.
Nas duas provas até agora realizadas, que decorreram na Póvoa de Varzim e no Porto, assistiu-se a excelentes espectáculos de surf, nos quais a competição foi levada ao limite pelos atletas. No sector masculino, Alexandre Ferreira foi o vencedor da primeira etapa, enquanto Justin Mujica levou o troféu da segunda. No escalão feminino, a jovem Francisca Santos, surpreendendo tudo e todos, venceu a primeira prova, enquanto Joana Rocha sagrou-se campeã na prova seguinte.
Mas são os actuais campeões nacionais em título, Ruben Gonzalez e Patrícia Lopes, que lideram os respectivos rankings, uma vez que foram mais consistentes. Ruben conta com um segundo e um terceiro lugares, enquanto Patrícia conseguiu dois segundos. A fome de vitórias é grande e certamente nenhum deles quer deixar os seus créditos por mãos alheias.
Prevê-se, portanto, uma prova aliciante na praia da Areia Branca, com os surfistas a lutarem pelos pontos que lhe permitam alcançar posições de topo no ranking nacional. O novo modelo de competição, caracterizado por baterias man-on-man a partir dos quartos-de-final, foi amplamente elogiado pelos surfistas e irá contribuir, por certo, para magníficas performances ao longo de todo o circuito.
O Campeonato Nacional de Surf Buondi 2006 é composto por oito etapas, que percorrem o país de Norte a Sul e demonstram, mais uma vez, que Portugal possui ondas e surfistas excelentes. Com um prize-money total de 52.750 euros, divididos entre prémios monetários das provas e os prémios da Red Bull Expression Session, todos os competidores dão o seu melhor para alcançarem os títulos nacionais.
Pelo quarto ano consecutivo, este circuito, que ganhou credibilidade em Portugal e no estrangeiro, sendo considerado o segundo melhor circuito nacional de surf do mundo, atrás apenas do brasileiro, e o melhor do hemisfério Norte, é organizado pela Alfarroba - Ideias e Eventos.
Todas as etapas do circuito nacional de surf contarão ainda com o espectáculo das Red Bull Expression Session, onde os surfistas lutam pelo prémio da manobra mais arrojada sendo, desde logo, mais um factor de interesse para o público. O Nokia Pro contará ainda com assistência reforçada por uma equipa experiente e por uma mota d’água de apoio, cortesia da Eastpak, que se associou ao circuito pelo lado da segurança.
Os monitores da Escola de Surf da Alfarroba proporcionarão ainda aulas de surf gratuitas, uma excelente oportunidade para todos os que desejem experimentar o prazer de “caminhar sobre as águas”, deslizando nas ondas, claro.
“O Nokia Pro marca o regresso do Campeonato Nacional de Surf Buondi 2006 à água, depois de dois meses de intervalo,” refere António Pedro, da Alfarroba. “Esta segunda fase do circuito terá seguramente mais gente nas praias, ondas mais pequenas mas bem formadas, e nunca é demais relembrar que foi nesta prova, em 2005, que o júnior Frederico Morais chegou pela primeira vez às meias-finais de uma etapa open e que assistimos a uma das finais mais competitivas de sempre no Campeonato. Espero que isto se repita este ano, que os surfistas apareçam em força e com ‘o surf no pé’,” conclui o organizador do evento.

"Putos" na Areia Branca


Começa já amanhã, na praia da Areia Branca, Lourinhã, a 2ª etapa do Campeonato Nacional Pro Júnior de Surf, o O´Neill B! Pro.

Desde a 1ª etapa no Porto, onde o estreante Joackim Guichard e a muito motivada Ana Penha e Costa levaram a melhor, dois meses passaram e os jovens surfistas portugueses, agora em férias lectivas, têm dado o tudo por tudo dentro de água para superarem o seu surf, participando em provas internacionais e preparando-se para vencerem com distinção as provas que se seguem do nacional.

E as condições estão reunidas para que a etapa da Areia Branca seja inesquecível: as previsões são para uma subida de swell já a partir de quarta-feira, o que prevê que a ondulação ronde o 0,5 e 1 metro, ideal para aquele beachbreak e perfeito para os mais novos mostrarem aquilo que valem.

Igualmente, a estrutura montada na praia – a mesma que será utilizada pelo Nacional de Surf Open, a começar na sexta-feira, naquele mesmo local – disponibilizará toda a logística essencial para que os participantes usufruam das melhores condições. Para os Media, está reservado um Centro de Imprensa com uma área superior à do ano passado e uma maior capacidade de apoio aos vários órgãos de comunicação social que se deslocarem até à Areia Branca.

Motivos mais que suficientes para que surfistas como Nicolau Von Rupp, Frederico Morais ou Miguel Ximenez, entre outros, possam lutar pela vitória na Lourinhã e dar mais um passo em frente na corrida pelo título nacional.

“Estamos convictos que nesta etapa teremos a presença do melhores júniores do país,” comentou António Pedro, da Alfarroba. “A ausência de alguns cabeças-de-série na etapa do Porto, devido à realização do mundial por equipas nas mesmas datas, vai obrigar esses atletas a darem tudo agora, para pontuarem o mais alto possível, o que aumentará a competitividade e, consequentemente, o espectáculo,” assegurou.

Neptuno "boicota" WCT em Jeffreys Bay

A estrutura do Billabong Pro (Photo: ASP/Covered Images)

O Deus Neptuno não tem sido favorável para a organização e competidores da 6ª etapa do WCT (World Championship Tour) deste ano, em Jeffreys Bay, África do Sul.
Há mais de 40 anos que "J-Bay" vem atraindo milhares de surfistas de todo o mundo para o seu já lendário "pico" de "Supertubos". As várias secções daquela onda, normalmente cilíndricas, deram-lhe a fama de um dos melhores point breaks do mundo. Porém, desde o dia 12, altura em que começou oficialmente o período de espera do Billabong Pro, que as condições do mar têm estado muito aquém daquilo que seria de esperar para uma prova da chamada "Dream Tour", sendo que, faltando quatro dias para o final da prova, apenas o 1º e 2º round foram à água.
A etapa dos Rookies?
Quem parece estar a safar-se com estas condições são os rookies do Tour. Depois de terem arrasado com os trials, os novatos no circuito acharam todas as facilidades para avançarem nos seus respectivos heats deixando para trás alguns dos mais conceituados surfistas do mundo, como foi o caso de Bruce Irons, Bobby Martinez, CJ Hobgood e Pancho Sullivan, que não se sentem tão à-vontade em condições mais fracas de ondas.
Mas o episódio a destacar do 2º round foi a vitória do havaiano Roy Powers sobre o 3x campeão mundial Andy Irons. Depois de ter vencido no México, o caminho de Irons na luta pelo título deste ano (maioritariamente contra Kelly Slater, que continua a liderar o ranking) sofreu um forte sobressalto ao perder contra um muito inspirado Powers.
"É bom conseguir uma vitória destas", disse Roy Powers, no final do seu heat, mostrando-se muito feliz e, ao mesmo tempo, triste com a eliminatória de Irons: "Ainda não tinha conseguido uma vitória desde que começou o ano, à excepção do meu primeiro heat, e estava a sentir-me deprimido... mas agora sinto-me muito bem! Embora seja péssimo derrotar uma pessoa com quem crescemos, alguém que admiramos. Quer dizer, o Andy é o meu herói! Ele é o meu herói desde pequenino e devo-lhe muito, por isso, de algum modo, sinto-me mal com esta vitória... mas, por outro lado, sabe muito bem vencê-lo, porque ele é o campeão!"
Quem também tem feito uma boa prestação em Jeffreys Bay é o brasileiro Adriano de Souza. Considerado por Slater como um potencial vencedor de algum evento do Tour logo neste seu primeiro ano, "Mineirinho" "arrasou" Cory Lopez e ganhou um bilhete directo para o 3º round. "Tive tanta sorte! No início o Cory surfou muito bem e eu estava bastante atrasado, mas consegui achar duas boas ondas - um 8.0 e um 9.0. Foi um heat fantástico e este foi um dos melhores dias para mim desde que entrei para o circuito este ano".
Faltam apenas 2 dias!
Com as previsões a indicarem uma descida de swell para o final da semana, esta 6ª etapa do WCT precisa apenas de dois dias completos de surf para poder terminar a prova. Com o final da etapa no dia 22 (daqui a quatro dias) a organização está nervosa em relação ao que pode acontecer até sábado. O relógio continua a contar...

Romain Cloitre vence na Caparica

Romain Cloitre destruiu os lips das ondas da Caparica (Photo: Poullenot/ASPEurope)


O atleta das Ilhas reunião Romain Cloitre foi o vencedor do Quiksilver Pro Júnior 2006, numa vitória disputadíssima contra os franceses Pierre Valentin Laborde e David Laboulsh e o competidor da ilha de Guadalupe, Jean Sebastien Estienne.
O último dia de prova começou com os quartos-de-final já sem portugueses e onde os destaques foram o israelita Mor Meluka, o francês Pierre Valentin Laborde, o inglês Ash Reubyn e Jean Sebastien Estienne.
As surpresas foram as eliminações dos franceses Nathan Curren, Adrein Valero e de Gordon Fontaine, que tiveram grandes dificuldades em se adaptarem às condições de ondas existentes.
Quem não mostrou qualquer tipo de dificuldade na primeira meia-final foi David Laboulsh, que fez uma bateria muito segura, passando facilmente à final e levando consigo Jean Sebastien Estienne e Ruben Gonzalez.
Para trás ficaram o israelita Mor Meluka, 5º lugar da geral, e o basco, Marcos Sansegundo, que fez um bom surf mas não se encontrou com as ondas com a 7º posição .
Na segunda meia-final, Romain Cloitre também passou o heat na primeira posição, deixando a luta pela última vaga na final entre o seu compatriota Pierre Valentin Laborde, o basco Jatyr Berassaluce e o inglês Ash Reubyn.
Pierre Valentin Laborde, com um surf muito seguro segurou o segundo lugar, deixando Jatyr Berassaluce Zubizareta no 5º lugar e Ash Reubyn em 7º.
Final muito renhida
A última bateria da prova começou bastante equilibrada entre os quatro atletas, mas o surfista da Ilhas Reunião - Romain Cloitre - acabou por se distanciar com um surf muito bonito, nunca mais largando a liderança da final. Em segundo lugar, a 2.10 do primeiro lugar, ficou o francês Pierre Valentin Laborde. Em terceiro, ficou o atleta da Ilha Guadalupe Jean Sebastien Estienne a 10.00 do vencedor. David Laboulsh, que tinha feito uma prova bastante consistente até então, não conseguiu impôr o seu surf e foi o 4º classificado, por uma diferença de 13.29.

Menina também brinca!
Já no que diz respeito à prova feminina, a primeira meia-final fez com pronúncia totalmente francesa, decorrendo sem grandes surpresas. Ado Pauline e Alizee Arnaud passaram à fase seguinte respectivamente em 1º e 2 º lugares, deixando em 5º Marie Dejean e Lea Mengual em 7º lugar da Geral.
Na segunda meia-final, Lee Anne Curren, também passou o heat na primeira posição, deixando a luta pela última vaga na final entre a portuguesa Francisca Santos, única representante portuguesa em prova, a basca Garazi Sanchez e a outra francesa Annabel Telouarn.
Francisca Santos, a jogar em casa e fortemente incentivada pela enorme claque que a aplaudia do paredão a cada manobra, assegurou o segundo lugar, deixando Garazi Sanchez no 5º lugar e Annabel Telouarn em 7ª.
Porém, na final feminina mais aguardada na praia, onde estavam três francesas e a portuguesa, Francisca nunca se encontrou com as ondas ficando-se pela 4ª posição. A grande vencedora foi Lee Anne Curren que selou a sua vitória com duas ondas de 8.50 e 6.00, deixando a favorita Pauline Ado na 2ª posição e Alizee Arnaud em 3ª.

Estrela em ascenção no surf nacional, Francisca Santos não conseguiu mais que o 4º lugar (Photo: Poullenot/ASPEurope)

Novas surfistas portuguesas

A estalagem Muchaxo, no Guincho, foi o ponto de encontro para o arranque da primeira paragem do Rip Curl Girls Tour presented by Davidoff Cool Water, uma tournée que percorrerá 16 cidades europeias, no decorrer dos meses de Julho e Agosto, e que dará a conhecer o surf e o meio que rodeia este desporto a meninas de todas as idades.
Entre sorrisos inicialmente tímidos e muita expectativa, cerca de 30 meninas e mulheres começaram por ser apresentadas, no sábado, aos professores que as iriam acompanhar nos dois dias de aprendizagem de surf e a toda a equipa da Alfarroba, empresa que teve a seu cargo a organização deste evento.
Feitas as apresentações, e antes de qualquer contacto com a água, foi tempo de aprender um pouco sobre a origem do desporto que actualmente fascina milhares e milhares de praticantes em todo o mundo: o surf. Numa viagem do passado ao presente (seguindo-se a apresentação de todo o material técnico), David Prescott, um dos professores de surf do evento e actual speaker da Association of Surfing Professionals (ASP), a entidade que gere as competições de surf internacionais, falou sobre a história e os locais míticos da modalidade. Logo depois, o professor Pedro Araújo (Campeão Europeu de Surf Master e responsável técnico da Alfarroba Surf School) esclareceu as meninas sobre o material, e transmitiu-lhes toda a sua experiência e conhecimentos adquiridos nos seus 20 anos de surfista.
Apesar do forte vento que se fez sentir no Guincho durante os dois dias de evento, as participantes não esmoreceram e a vontade para conseguirem surfar as ondas superou o cansaço e esforço. As aulas dentro de água foram os pontos altos do fim-de-semana, quer pelo grande emprenho e alegria das meninas que, na sua maioria, estavam a colocar os pés em cima de uma prancha pela primeira vez, quer para grande satisfação de todos os professores.
“Este evento é muito bom, porque estamos entre outras raparigas, na sua maioria todas da nossa idade e para quase todas é também a primeira vez que estão a fazer o desporto, o que também ajuda”, disse Mariana, uma das participantes, ao final da manhã de sábado. Já para Ana, que acompanhava nesta aventura a sua filha, Maria do Carmo, estes foram dias a não esquecer: “Fui mais eu a tomar a iniciativa de vir do que a Carmo. É um evento óptimo e uma oportunidade de aprender um desporto fantástico. A organização foi espectacular e, embora esteja entre gente muito nova, estou a adorar!”. É caso para dizer que comprará uma prancha depois deste fim-de-semana? “Sem dúvida!!!”.
Para a tarde de sábado o programa do Rip Curl Girls Tour tinha reservado uma palestra sobre o socorrismo, na sua vertente de segurança no surf, com Rodrigo Costa, especialista em salvamento aquático, e aulas de yoga e introdução aos ritmos dos d’jambés com a equipa da Rip Curl. Tudo antes de voltarem a molhar os fatos de surf.
Após uma aula de BodyBalance, leccionada pela professora Susana Duarte, do Health Club Active Life, que conduziu as participantes por exercícios de alongamento e de relaxamento, ideais depois de muitas horas de exercício físico, o primeiro dia do evento terminou com um jantar convívio com a presença de todas as meninas, professores e equipas da Rip Curl e Alfarroba, onde o tema da conversa era só um: todas as experiências do dia.

Já com saudades!
De energias renovadas após uma merecida noite de sono na Muchaxo, todas as novas surfistas estavam ansiosas para entrar para dentro de água e aplicarem os conhecimentos adquiridos no dia anterior. E os resultados foram estrondosos, com a maioria delas a conseguirem meter-se em cima das pranchas e a fazer as suas primeiras ondas.
“É muito bom vê-las divertidas e entusiasmadas com o desporto”, disse Joana Andrade, vice-campeã nacional e também uma das professoras a integrar a equipa de Pedro Araújo «Pirujo». Após tão boas prestações dentro de água, Joana Andrade também estava satisfeita: “Não tenho problema de ver as minhas alunas a competirem contra mim um dia no campeonato nacional. Vou até sentir orgulho!”.
Durante os dois dias de evento, participantes, professores e equipa receberam cuidadas refeições da Go Natural, elaboradas sob as indicações da nutricionista Madalena Munõz, que também passou pelo evento para explicar a todas as meninas as vantagem de aprender a comer bem, naquele que foi um dos pontos altos do segundo dia do Rip Curl Girls Tour.
Entre mais uma aula de surf, os ritmos das danças latinas, com o professor Milton, do Active Life, e os truques de massagem ensinados pela terapeuta Joana Baptista, as 30 participantes da edição portuguesa deste ano da Rip Curl Girls Tour estavam exaustas mas com um sorriso de orelha a orelha e uma forte sensação de realização.
“Correu tudo muito bem e estamos no geral muito satisfeitos com esta edição do Rip Curl Girls Tour”, garantiu no final Beatriz Chaves da Alfarroba. “Foram dois meses de árduo trabalho, mas tudo vale a pena quando vemos a satisfação estampada no rosto de todas as participantes”.
O sorteio de mais prendas da Rip Curl e de dois telemóveis Nokia firmou a cerimónia de encerramento de um evento que todas fizeram questão de garantir que jamais esquecerão, ficando expressa a vontade de marcar presença no próximo ano.


(Photos: Ricardo Vieira/Alfarroba)