18 September 2006

Quem disse que apenas os grandes podem vencer?

O desconhecido Bede Durbidge fez história ao ganhar o Boost Mobile... É a nova geração a mostrar as garras! (Photo: ASP/Covered Images)


Um acontecimento mexeu no passado fim-de-semana com o mundo do surf: a vitória de Bede Durbidge do Boost Mobile Pro, etapa do WCT em Lower Trestles, na Califórnia.
Bede Durb… quem???? Exactamente. Este australiano, repescado para o Dream Tour depois da saída a meio do ano do norte-americano Richie Lovett, derrotou o 7x campeão mundial Kelly Slater naquela que foi a sua primeira final desde sempre no Circuito Mundial de Surf.
Mas este jovem de 23 anos, vindo de Queensland, detentor de um surf ultra-maturo, não superou apenas Slater. Durante o evento, Durbidge cilindrou o 3x campeão mundial Andy Irons, o actual nº 3 do ranking Taj Burrow e Chris Ward, que contava com o favoritismo local.
Na final (e ainda sem perceber com o atleta australiano havia lá chegado), esperava-se que Kelly Slater tomasse as rédeas e dominasse durante todos os 30 minutos de prova, mas Bede Durbidge surpreendeu tudo e todo (incluindo King Kelly) com carves muito fortes, misturados com alguns aéreos.
“Esta foi a melhor coisa que alguma vez me aconteceu,” disse em estado de euforia o vencedor do Boost Mobile Pro, acrescentando: “Este é o melhor ano da minha vida! Declarei-me à minha noiva Taryn e venci o meu primeiro evento. Está a acontecer-me tudo pelo melhor este ano!”
“Estou completamente passado! Mas, no fundo, sempre acreditei que tinha o potencial para chegar à vitória,” contou Bede Durbidge. “Sabia que se ele [Kelly Slater] começasse a atacar, ele conseguia vencer. Então, estava apenas rezando que não chegasse nenhuma onda boa para ele e que tudo desse certo para mim,” acrescentou ainda o jovem surfista, que, com esta vitória, passa agora a ser Top10, uma posição que Bede não quer largar até ao final deste ano.

Locais da Ericeira fazem festa

Paulo do Bairro à muito que queria uma vitória (Photo: Alfarroba/Ricardo Bravo)


Paulo Rodrigues e Joana Rocha sagraram-se vencedores do Arnette Pro, quinta etapa do Campeonato Nacional de Surf Buondi 2006. O último dia de prova contou com condições épicas na praia de Ribeira D'Ilhas, na Ericeira, traduzindo-se num excelente espectáculo de surf.
As meias-finais masculinas foram extremamente emocionantes, com baterias muito disputadas, que colocaram frente-a-frente João Macedo e Justin Mujica e, também, Ruben Gonzalez a competir com Paulo Rodrigues. E as surpresas continuaram!...
Macedo mostrou um surf muito fluído, com manobras fortes que impressionaram júri e público. O atleta da Praia Grande conseguiu, desta forma, e graças à sua última onda (8,17) eliminar Justin Mujica, um dos melhores surfistas da prova até então e detentor do Fiat Top Score, para a melhor pontuação total da prova. Neste caso, a diferença do score final foi de apenas 0,6 pontos.
Na segunda bateria desta fase, Paulo Rodrigues evidenciou toda a sua experiência nas ondas da Ericeira, aplicando manobras impressionantes e conseguindo eliminar o actual campeão nacional, Ruben Gonzalez, que partiu a prancha durante a bateria. “Em vez de destruir as ondas, elas é que destruíram a minha prancha. Acabei por desconcentrar-me no heat. Também falhei uma manobra numa onda fundamental e, contra um surfista como o Paulo, isso paga-se caro. Mesmo assim, é um resultado positivo”, declarou o bi-campeão nacional de surf, que assim volta a subir no ranking, para a terceira posição.

A final, inédita, composta por Paulo Rodrigues e João Macedo, foi uma demonstração de superioridade do primeiro, que deixou Macedo a precisar de uma combinação de ondas para chegar à vitória, embora feliz com a sua primeira final no Campeonato Nacional de Surf.
“Fiquei triste de não ter conseguido apanhar ondas que abrissem, na final, apesar do cansaço que já sentia,” afirmou contente João Macedo. “Mas foi o meu melhor resultado de sempre numa etapa do nacional, em condições exigentes, das quais eu gosto. Estou com muita vontade de competir nas duas próximas etapas, que também são em locais de boas ondas, tradicionalmente,” disse ainda o estreante em finais.
Paulo Rodrigues evidenciou um surf muito consistente, completamente adaptado às condições de mar de que tanto gosta, pontuando nas suas melhores ondas 7,67 e 6,67 pontos em 10 possíveis.
“Estou muito contente com esta vitória. É muito especial para mim vencer na Ericeira e com estas condições de mar, que são da minha preferência. Senti-me muito à vontade e o resultado está à vista”, revelou o surfista, que vive na Ericeira, e cuja última vitória no Campeonato Nacional tinha sido há cerca de 6 anos, precisamente nesta praia, onde conquistou o título nacional desse ano.
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Joana Rocha again
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A final feminina foi composta pelas surfistas Joana Rocha (1ºlugar), Francisca Santos (2º), Margarida Guerra (3º) e Ana Penha e Costa (4º). É de destacar a presença destas três últimas surfistas juniores nesta fase da prova, elas que foram finalistas na etapa anterior do circuito Pro Júnior, realizada no passado fim-de-semana, também na Ericeira.
Joana Rocha sagrou-se vencedora, demonstrando muita classe e bom conhecimento nas ondas de Ribeira D'Ilhas, ao apanhar e manobrar de forma convincente as melhores ondas da final e de toda a prova feminina. Houve mesmo que comparasse o seu surf hoje, aqui em Ribeira D'Ilhas, ao de muitos dos melhores atletas masculinos.
“O início do heat não correu bem mas depois consegui concentrar-me e apanhar e surfar da melhor forma aquela onda decisiva (um 8). Estava a jogar em casa e isso também contou, porque conheço muito bem esta onda. Por outro lado a pressão é maior. Agora que estou mais em primeiro lugar no campeonato, vou deixar fluir o meu surf e procurar manter os bons resultados”, referiu a campeã.De referir ainda a eliminação da campeã nacional, Patrícia Lopes, nos quartos-de-final, não conseguindo desta forma, inverter a série de maus resultados das etapas anteriores, e de Joana Andrade, outra das sempre candidatas, nas meias-finais.
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Joana Rocha está a ter um ano fantástico... vamos ver se é desta (Photo: Alfarroba/Ricardo Bravo)

15 September 2006

Camisola amarela dá sorte na Ericeira


Só um grande surfista pode mandar tanta água ao ar sem onda por baixo (Photo: Alfarroba/Cedric)

Miguel Ximenez não quis deixar passar mais uma etapa do Campeonato Nacional Pro Júnior de Surf, o O’Neill B! Pro, sem subir ao primeiro lugar do pódio e a Ericeira foi o local escolhido para fazer essa sua estreia este ano. Já para Francisca Pereira dos Santos, a vitória de uma etapa neste circuito não lhe era estranha, mas a surfista da Caparica gostou do lugar e mais uma vez levou a melhor.
Com ondas de 0.5m, a roçar o quase flat, o segundo e último dia da terceira etapa do O’Neill B! Pro mudou-se de armas e bagagens para a praia da Foz do Lizandro, a sul da Ericeira, uma vez que não havia condições para realizar a prova em Ribeira d’Ilhas, onde estava montada a estrutura principal. Embora a mudança de local ajudasse ligeiramente, as poucas ondas que apareceram deixaram os atletas a desejar a mesma ondulação que se tinha visto aquando da realização do campeonato mundial de surf, há uma semana.
Apesar disso, o mar estava minimamente surfável, de tal forma que Miguel Ximenez conseguiu alcançar a melhor onda, um 8.67, e o melhor score de toda a prova, 15.84, durante a final. O surfista do Guincho acabaria por deixar todos os seus adversário da final – Frederico Morais, Tomás Valente e Luís Castanheira – a precisar de uma combinação de duas ondas para poderem ultrapassar a sua liderança.
“À terceira foi de vez!” começa por dizer Ximenez. “Estava a sentir-me em forma e confiante. O mar estava pequeno, só que começaram a entrar uns sets e tive a sorte de apanhar duas ondas que abriram. Sabia que tinha ali a minha oportunidade e não a larguei!” Com três finais feitas em três etapas realizadas este ano (o surfista conseguiu um segundo lugar no Porto e um quarto lugar na Areia Branca, para além da vitória de hoje), Miguel Ximenez é cada vez mais o líder destacado do ranking Pro Júnior.
Quem ainda está a lutar por pontos é Frederico Morais, que com a sua segunda posição nesta prova da Ericeira conseguiu levar um bom impulso na tabela classificativa. Mas com menos uma etapa realizada (Frederico não esteve no Porto, porque encontrava-se no Brasil a disputar o mundial júnior por equipas) e a meio do circuito deste ano, o surfista da Linha de Cascais não poderá dormir na forma nas provas que se seguem: Carcavelos e São Torpes. “A final não correu mal, mas o Ximenez conseguiu apanhar logo as melhor ondas. Naquelas condições, quem apanhasse as melhores conseguia ganhar,” disse o jovem “Kikas”.
Tomás Valente, na primeira prova do circuito O’Neill B! Pro que correu este ano, acabou num óptimo terceiro lugar e Luís Castanheira, fortemente apoiado pelo seu treinador, o ex-top 44 mundial Tinguinha Lima, foi o quarto classificado, subindo para a terceira posição do ranking.
Outro destaque vai para o muito jovem Vasco Ribeiro, de 11 anos apenas, que acabou esta etapa num fantástico 5º lugar, a par de Diogo Castro, não passando à final por muito pouco. A sétima posição foi para Pedro Sousa e Joackim Guichard, vencedor da primeira etapa, que assim passa ao segundo lugar no ranking. O seu irmão gémeo, Luca, vencedor da segunda etapa, desta vez não teve sorte e perdeu nos oitavos de final.
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Francisca Santos soma outra vez
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Na parte feminina, as meninas lutaram taco-a-taco pela vitória desta terceira etapa. Na final estiveram repetentes de pódio: Francisca Pereira dos Santos, Vera Costa, Margarida Guerra e Ana Penha e Costa.
Francisca Pereira dos Santos conseguiu fazer prevalecer a sua técnica sobre as fracas condições do mar. Conseguindo pontuar algumas manobras, a surfista da Caparica lá foi levando a sua avante e, à semelhança do que aconteceu na Areia Branca, levou para casa o primeiro prémio. “O mar estava muito difícil, mas a final não correu assim tão mal. Estive um pouco baralhada com a escolha de ondas, mas no fim deu certo,” diz a “Xica”, garantindo que “nenhuma de nós tinha pontuações altas e aquela que conseguisse apanhar uma boa onda podia ganhar”. Francisca Pereira dos Santos está agora com os olhos postos na etapa do Nacional Open, no próximo fim-de-semana, em Ribeira d’Ilhas: “Agora tenho uma semana pela frente de treino até ao Nacional... vamos ver o que vai acontecer”.
Quem não quis abrir mão desta vitória facilmente foi Ana Penha e Costa, que terminou na segunda posição. Apesar de já ter somado duas vitórias no circuito deste ano, Francisca Pereira dos Santos tem em falta a presença na primeira etapa do Porto, o que tem levado a que ainda não tenha conseguido destronar Ana da liderança da tabela geral. “Espero continuar determinada na defesa da liderança do ranking,” diz Ana Penha e Costa, prometendo “continuar a esforçar-me e a tentar ir a todas as finais”.
Nos lugares seguintes da final acabaram Margarida Guerra (3º) e Vera Costa (4º), esta última na sua terceira final consecutiva. Destaque também para as jovens Ana Sarmento e Mariana Macedo, que terminaram na sétima posição ex-aequo, atrás de Francisca Tenreiro e Maria Leonor Santos, as quintas classificadas.
“Aconteceu praticamente tudo o que podia ter acontecido numa prova de surf, mas felizmente correu tudo bem.” Quem o diz é Artur Ferreira, director técnico do circuito Pro Júnior, para quem “todos os intervenientes ajudaram muito. Principalmente os surfistas, que conseguiram ultrapassar as condições do mar e a incerteza de onde iriam competir, e para os juízes, que tiveram que adaptar o seu julgamento a estas características”. “Mas a prova acabou por ser renhida e a luta pelo título ainda está ao rubro! Principalmente, porque agora as últimas etapas do campeonato vão acontecer numa altura de melhores ondas,” acrescenta ainda Artur.
“Este foi provavelmente o campeonato mais difícil dos últimos 4 anos,” garante António Pedro, responsável da Alfarroba, confessando ainda que chegou a pensar que “não conseguiríamos fazê-lo, porque as condições estavam mesmo muito más. Mas lá conseguimos realizá-lo, entre Ribeira D’Ilhas, Pedra Negra, Pontinha e a Foz do Lizandro. Contudo, não foram seguramente as condições que queríamos para os atletas e para os patrocinadores”. Lembra o director de prova que “em dois dias passámos por quatro lugares diferentes, sendo esta uma prova verdadeiramente móvel”. Contudo, “os atletas são, acima de tudo, surfistas e estão habituados a adaptarem-se a ondas e locais diferentes.” O certo é que “organizar um campeonato com boas ondas é sempre fácil, fazê-los com menos ondas é que é pior.”

Let It Be!

Saca sacou de novo! Foi inevitável. Quem se passeava pelas areias de Ribeira d'Ilhas, entre os verdadeiros «cromos» do surf internacional, era clara a reacção de muitos: "Não é fácil entrar na água contra o Tiago!" Uma constatação óbvia quando olhavamos para a beira-mar e víamos uma multidão a gritar, a berrar, a favor do "filho da terra" e a apupar os outros que tinham a audácia de o enfrentar.
Talvez fruto de um saudosismo do Mundial de 2006, as bandeiras saíram do armário e foram de novo erguidas, desta vez num cenário de competição de surf. Um acto nada normal no nosso País, que apenas recentemente tem aberto os olhos para este desporto (tinha de ser uma novela juvenil, de pobre conteúdo, a ter esses louros... que pena!)
A verdade é que o apoio era forte, muito forte. E houve até quem pensasse que Tiago Pires tinha sido levado ao colo pelos juízes, claramente influenciados pelo ambiente que se vivia... mas não. Talvez movido pela forte responsabilidade de defender a sua vitória no ano passado, daquela mesma prova, naquele mesmo lugar, Saca esteve durante todo o tempo muito focado, estranhamente focado.
Falava com as pessoas que o interpelavam como se não estivesse lá, mas sim com o corpo e a mente alinhados com aquele point-break que o viu crescer. Nada o fazia desviar da sua linha, do seu pensamento. Nem os conselhos dos velhos amigos, nem as palavras de incentivo dos "novos amigos".
Tal concentração transpareceu para o seu surf naquele fim-de-semana. Tiago era perfeito em cada onda, em cada manobra. E ninguém lhe quis ou teve capacidade de desviar as luzes da ribalta que sobre ele incidiam.
Este é o Saca em que acreditamos. Este é o Saca que sabemos que tem capacidades para se defrontar contra os Top45. Este é o Saca que queremos, mais do que tudo, que consiga um lugar no Dream Tour, a recompensa justra para um "miúdo" que tomou sobre os seus ombros o peso (e ele é mesmo pesado!) de toda uma Nação e o seu desejo de ver o vermelho, verde e amarelo da bandeira entre os melhores no cenário competivivo internacional.
Mas o que se passa com este mesmo Tiago Pires? Que se passa com um surfista com toda esta capacidade que todos os anos, depois de uma exaustiva luta, fica sempre à porta de entrada no WCT? Esta é uma questão sobre a qual todos temos por hábito divagar, mas cuja resposta dependende somente dele.
Como todos nós sabemos, o surf continua a ser um desporto muito individual e no seu cariz competitivo ainda mais. Por isso, DEIXEM-NO RESPIRAR! Não parem com o apoio, mas dêem-lhe espaço para agir, acabando com o típico (embora não intencional) olhar reprovador de quem pensa: «Então?! Ainda não conseguiste lá chegar?! Porquê?! Vá, mexe-te!»
A pressão pode levar ao impulso... mas pode também bloquear...
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O EDITOR

12 September 2006

Falando com Guilherme Herdy


O ex-Top 45 está de volta às lides competitivas. Guilherme Herdy esteve em Portugal durante o Buondi Billabong Pro, WQS de cinco estrelas, e falou sobre o seu surf... e o dos outros.

Como está correndo para você este ano?
Este ano tive um óptimo resultado em Noronha, depois não consegui mais nenhum resultado bom, mas tenho vindo a fazer boas baterias. Vim a Portugal para fazer um bom campeonato e facturar.

Como você vê o facto de muitos dos surfistas da sua geração estarem a voltar à competição?
Acho super interessante os surfistas da minha geração estarem a voltar ao circuito. Acho que a mudança do ‘CT para ondas muito boas ajuda-os a voltar a ter motivação. É só olhas para o Neco [Padaratz] e para Mike Campell.

E você e a competição?
Eu adoro competir! Se puder sempre competir, eu vou estar lá!

Saca Tudo!


Tiago Pires tinha tudo a defender na etapa de Ribeira... e não desiludiu! (photo: Poullenot/ASPEurope)


A história repetiu-se mais uma vez na praia de Ribeira d’Ilhas, na Ericeira, com a vitória do surfista português Tiago Pires da 29ª etapa do WQS, o Buondi Billabong Pro.
Sete dias de evento culminaram numa final renhidíssima entre Tiago e o havaiano Fred Patacchia, integrante da elite mundial, naqueles que foram os 30 minutos mais intensos de todo o dia. Com a ondulação a crescer e o público na praia a aplaudir intensamente, o surfista nacional foi passando cada um dos seus heats em primeiro lugar, mostrando-se sempre muito focado e muito táctico.
Na final, «Saca» escolheu as ondas a dedo e pontuou duas notas incríveis, um 9.77 e um 9.43 (em 10 possíveis), conseguindo o segundo melhor score de todo o Buondi Billabong Pro: 19.20.
Já Patacchia optou por seguir o instinto e contrariar a natureza da direita de Ribeira, apanhando várias esquerdas. Apesar de aplicar manobras muito fortes, como lhe é tão característico, o havaiano de Haleiwa não conseguiu ir para lá do 8.67 e do 6.90, acabando por precisar de uma combinação de duas ondas para alcançar o herói português.
Entre gritos, aplausos e muita emoção, Tiago Pires não conseguia esconder no fim o contentamento de vencer na sua terra natal e de estar novamente lançado na corrida para o WCT.
“Sabia que iria ser uma final muito difícil, mas, no fundo, acreditava que conseguia vencer,” contou o surfista com um sorriso de orelha a orelha. “Estava um bocado cansado, mas acho que toda a energia que se sentiu hoje aqui foi ter comigo. Este ano ainda esteve mais gente que o ano passado e não me importava nada de ter esta claque todo o ano”, diz.
Para «Saca», “o último heat é o mais importante e fico muito feliz das ondas estarem boas, de estar um nível que puxa pelo nosso surf. Mas temos que nos manter fortes até ao fim, pois este é um jogo de paciência e temos de estar sempre calmos”.
Agora, com a sua subida para a 26ª posição do ranking mundial de qualificação, Tiago Pires está relançado na corrida para o WCT. Porém, o surfista não quer pensar muito nisso para já: “Não sei porquê, chega a esta altura do ano e relanço-me na corrida para o ‘CT, mas não quero pensar muito nisso, porque ainda vou ter que fazer muito surf para chegar lá”.
Já para Fred Patacchia, para quem as andanças no WCT não são desconhecidas, a final foi épica e a sua segunda posição não é de minorizar. “Foi uma final fantástica! Eu nunca tinha surfado contra o Tiago numa final e sabia que ele era o favorito, mas hoje tiro-lhe o meu chapéu: ele superou-me no surf e mereceu a vitória!”
Para o havaiano, “é muito bom conseguir um segundo lugar. Adorei este campeonato! É muito bom ter ondas assim, em que as pessoas estão ansiosas para entrar nos seus heats apenas para surfar estas ondas. Definitivamente, não me importava nada de fazer aqui um WCT. Talvez um Rip Curl Search, quem sabe...”
Depois de ter alcançado preciosos pontos nesta etapa da Ericeira, Patacchia está pronto para a próxima etapa do WCT: “Vou para Trestles muito inspirado e quero ganhar! Aprendi isso com o Sunny Garcia, entramos num campeonato sempre para ganhar!”... excepto se se atravessar com o «Saca» pelo caminho, acrescentamos nós!
Outras das figuras deste último dia do Buondi Billabong Pro foram o também havaiano Dustin Cuizon, que conseguiu acabar o evento com a melhor onda pontuada – um unânime 10 (em 10 pontos possíveis!) – e o melhor score total: 19.50 (em 20 pontos possíveis). Todas as pontuações, alcançadas na primeira bateria dos quartos-de-final, contra o australiano Glenn Hall.
A liderar o ranking do WQS ficou Jeremy Flores. Apesar do francês ter dado literalmente a final a Tiago Pires, o jovem da Ilha Reunião conseguiu somar os pontos necessários para ultrapassar Michael Campbell, que também teve uma brilhante prestação neste Buondi Billabong Pro.
Depois de ter encontrado Tiago Pires no round de 48, Flores voltou a ter que enfrentar o herói nacional na segunda meia-final. Conhecendo o «Saca» desde pequeno e tendo já garantido a sua entrada para o WCT do ano que vem, o actual líder do ranking não teve qualquer problema em dar o heat ao surfista português e usou o tempo da bateria para se divertir com ele a apanharem ondas com a posição de base na prancha trocada.
“Foi uma meia-final muito divertida! Eu conheço e sou amigo do Tiago há muito tempo, costumamos fazer o WQS juntos. Esta final para mim não era crucial e para o Tiago significava muito, por isso quis fazer isto. Estou muito contente por ele”, confessou no fim Jeremy Flores.

Layne de volta às vitórias

Layne não quer deixar a sua presença passar despercebida este ano (photo: ASP/Coverage Images)

A seis vezes campeã mundial Layne Beachley não poderia estar mais nenhuma etapa afastada do topo de um pódio e a etapa do WCT em Itacaré, no Brasil, era a oportunidade para começar a virar o ano a seu favor, arrecadando para si o Billabong Girls Pro e ganhando a liderança do ranking mundial.
“Foi um final de contos de fadas para mim,” disse Beachley. “Trabalhei muito durante toda a semana, até porque as condições não eram nada fáceis. Não podia ter terminado da melhor maneira!”
Embora tenha tido um desempenho exemplar durante todo o evento, a hexa-campeã mundial chegou à final pronta para mostrar todo o seu potencial, e, sem receios, arrancou um 9.95 e um 8.50, mostrando que está de volta às vitórias.
“A minha insanciável sede de vitórias voltou,” conta Layne Beachley. “Já passaram 18 meses desde a minha última vitória, por isso estou muito satisfeita. Parece que já nem me lembro como é que é vencer!”
Porém, ao subir ao pódio todas as memórias acenderam-se.
Quem não gostou muito foi a australiana Jessi Miley-Dyer que viu o primeiro lugar a escapar-lhe pelos dedos.
“A Layne arrancou logo com duas notas fantásticas, e quando ela conseguiu quase aquele 10, eu pensei: «Wow, esta foi boa... qualquer uma que consegue tirar quase um dez com estas condições... bem, se calhar é melhor ficar aqui no meu canto até eles acabarem o heat.”
Mesmo assim, com apenas 19 anos, a jovem surfista está contente com esta sua primeira final no Tour feminino.
“Ainda pensei que teria chances para me safar, porque muito pode acontecer num heat,” conta a australiana. Mas, “é sempre difícil recuperar quando alguém tira um 9.95 e um 8.50, por isso, apenas tentei divertir-me. Já estou qualificada pelo WQS, por isso não tinha nenhuma pressão sobre mim e penso que isso viu-se no evento. Nas passadas etapas não consegui ir além do terceiro round e, agora, cá estou eu na final”.
O círculo das vencedoras com sabor a Brasil (photo: ASP/Coverage Images)

05 September 2006

Ataque das novas esperanças mundiais

Miúdos e miúdas de todo o mundo reuniram-se no passado fim-de-semana, em Ribeira d’Ilhas, Ericeira, para disputar a quinta etapa do circuito europeu de surf junior deste ano, o Billabong Pro Junior.
Em jogo estava aquela competição, mas também o título europeu, quer masculino, como feminino, uma vez que com o cancelamento da última etapa em Marrocos, tudo ficaria decidido em terras lusas.

Os jovens surfistas oriundos dos mais variados países, vinham determinados a darem-se bem, até porque muitos deles ficariam nos restantes sete dias para participar no WQS de 5 estrelas que se seguia e queriam fazer deste campeonato um treino intensivo para o Buondi Billabong Pro.

O australiano Michael Spencer e a francesa Alizée Arnaud foram os dois jovens que conseguiram elevar-se perante opositores muito fortes, entre eles Joan Duru e Lee Ann Curren, filha do lendário Tom Curren, que alcançaram o título depois de feitas as contas no fim da prova.

Spencer enfrentou presenças muito fortes durante todo o evento, como as dos brasileiros Robson Santos, Charlie Brown e William Cardoso, este último tendo disputado a final. Aproveitando o mar mais pequeno nos primeiros dias e sentindo-se em casa, os atletas do Brasil mostraram um surf muito forte, mordendo constantemente os calcanhares aos finalistas, entre eles também Dion Atkinson e o francês Marc Lacomare.

O derradeiro heat do evento era de extrema importância, tendo Lacomare estado na mira de todos. Com a precoce eliminação de Jean Sebastian Estienne, que estava muito bem qualificado na corrida ao título, Joan Duru era praticamente dado como vencedor... dependendo da posição em que acabasse Lacomare. Caso vencesse, o francês ganhava tudo... mas a sorte não estava do seu lado e Marc Lacomare ficou em segundo no ranking europeu, vítima de uma última boa onda, que teimou em não aparecer.

Meninas que parecem homens... a surfar!
Quem espantou foi Alizée Arnaud. É conhecido o surf muito forte e progressivo da jovem francesa, mas o seu fraco desempenho em competição. Porém, Alizée calou muitas mais linguas, mostrando dentro de água uma desenvoltura e uma garra muito pouco caracteristica das mulheres e muito mais associada ao surf masculino. E isso valeu-lhe a vitória na Ericeira.

“Foi uma final muito boa, com muitas ondas e estou muito contente com o resultado, disse a pequena Alizée no final do campeonato, garantindo que o seu surf competitivo deu um salto de gigante em grande parte pelo facto da francesa ter andado a surfar pela terra dos cangurus e outros paraísos do surf.



(Fotos: Alfarroba/Ricardo Bravo)

À conversa com Victor Ribas


(Foto: Pop-trash)

Em Portugal para a 29ª etapa do WQS, Victor Ribas é a calma em pessoa. Dono de um surf muito poderoso e um dos Top45, em Ribeira d’Ilhas, na Ericeira, fez-nos o ponto da situação.

Como tem sido o seu ano?
Estou muito feliz com os resultados que tenho tido no WQS deste ano. A perna brasileira correu muito bem. Mas tenho somado muitos bons resultados em todos os eventos. Gosto de dizer que sou o “Rei dos Mil”, porque tenho conseguido quase sempre resultados acima dos 1000 pontos.

Qual tem sido o segredo?
Estou com boas pranchas e o pensamento também está legal. O importante é estar de bem com a vida.

Qual o seu actual objectivo?
Quero melhorar no WCT e voltar ao Top16!