07 August 2013

A melhor onda da nossa vida ~ The best ride of our lives


Agosto e a cidade a meio gás. O trabalho corre a um ritmo mais lento, o que nos permite um pouco mais de fôlego no nosso dia-a-dia. Altura perfeita para colocar a leitura em dia.

A desfolhar a Surfer do mês de Agosto, com a de Setembro já em lista de espera, dei por mim a ler sobre a onda da nossa vida.

Todo o surfista parece ter um índex de ondas memoráveis e a dificuldade é mesmo escolher aquela que podemos considerar como a mais épica, aquela que foi inesquecível.

Dei por mim a pensar nisso mesmo: qual a onda que mais me marcou?

Queria dizer que foi aquela de dois metros, sem ponta de vento, onde mandei o tubo da minha vida... Ou aquela em que fui acompanhada por golfinhos o tempo todo... Ou, então, aquela em que passei a todo o vapor por um pro que gritou de contentamento com a minha performance...

Gostaria muito de ter uma história maravilhosa para contar, mas a onda que posso considerar como "onda da minha vida" vai muito ao encontro das palavras do editor da revista Brendon Thomas: foi a minha primeira onda.

Comecei a fazer surf em 1995, na transição entre o secundário e a universidade. Era das poucas raparigas que faziam surf na altura, na Costa da Caparica. Como não tinha dinheiro os meus amigos foram os meus maiores impulsionadores, dando-me um fato que já não usavam (onde sobrava neoprene no meio das pernas) e uma prancha que de tantos buracos tiveram que remendar e pintar por cima de uma cor forte para não se notar tanto (ainda tenho essa prancha).

Como os meus pais não tinham dinheiro para ter as duas filhas no privado, aguardei de bom grado que a minha irmã acabasse o ultimo ano que lhe faltava na universidade. Tinha um ano pela frente e muita vontade de começar a fazer surf.

Assim, todos os dias, durante seis meses, pegava na minha 6'4 e lá ia eu de autocarro para a praia, debaixo dos olhares de estranheza de quem passava por mim. Durante horas tentava colocar-me de pé em cima da minha shortboard, tentativa atrás de tentativa, nas espumas da Caparica, debaixo de sol ou de chuva. Sem treinador ou palavras de incentivo.

Até que um dia... Consegui. Por breves momentos, que me pareceram uma eternidade, consegui colocar-me em pé e surfar uma onda, mesmo que tenha sido em frente e numa posição que não me orgulharia aos dias de hoje.

Hoje já faço surfo com toda a confiança. De norte a sul do país. Já fui à Indonésia, EUA, África do Sul. Mas ainda hoje digo que aquela foi a melhor onda da minha vida, a melhor sensação que alguma vez senti.

***

August and the city is in slow motion.Work runs at a slower pace, which allows us a little more time. Perfect to put our reading up to date.

Passing my eys through the August edition of Surfer, with September already on the waiting list, I found myself reading about the wave of our life.

Any surfer seems to have an full index of waves and the difficulty is to choose the one that can be considered as the most epic, one that was unforgettable.

I found myself thinking about it: what is the wave that struck me the most?

I would like to say that it was that two meter wave, with blunt wind, when I caught the tube of my life ... Or the one where I was accompanied by dolphins all the time ... Or, that one that I passed at full throttle for a pro surfer who shouted of contentment with my performance ...

I would love to have a wonderful story to tell, but the wave can I can considered as a "wave of my life" will meet the very words of the editor of Brendon Thomas: it was my first wave.

I started surfing in 1995, the transition between secondary school and university. I was one of the few girls that surfed in Costa da Caparica. As I had no money my friends were my biggest boosters, giving me a wetsuit that they no longer used (which had plenty of neoprene between the legs) and a board that had so many holes that they had to patch it and paint over with a strong color that it didn't notice much (I still have this board).

My parents could not afford to have two daughters in private school, and I gladly waited for my sister to end her last year in the university. I had a full year ahead to myself and was eager to start surfing.

So, every day, for six months, I took my 6'4 and went by bus to the beach, under the strange looks from passers. For hours trying to put my feet on my shortboard, attempt after attempt, in the foam waves of Caparica, under sun or rain. With no trainer or words of encouragement.

Until one day ... I did it. For brief moments, which seemed an eternity, I managed to put myself up in the surfboard and ride a wave, even if it was straight ahead and in a position that I wouldn't be proud today.

Today I surf with confidence. From north to south of the country. I've been to Indonesia, USA, South Africa, but still say that that was the best wave of my life, the best feeling I have ever felt.

No comments: